História do Brasil
1. (Vunesp) A casa-grande, residência do senhor de engenho,
é uma vasta e sólida mansão térrea ou em sobrado; distingue-
-se pelo seu estilo arquitetônico sóbrio, mas imponente, que
ainda hoje empresta majestade à paisagem rural, nas velhas
fazendas de açúcar que a preservaram. Constituía o centro
de irradiação de toda a atividade econômica e social da propriedade.
A casa-grande completava-se com a capela, onde se
realizavam os ofícios e as cerimônias religiosas [...]. Próximo se
erguia a senzala, habitação dos escravos, os quais, nos grandes
engenhos, podiam alcançar algumas centenas de “peças”.
Pouco além serpenteava o rio, traçando através da floresta
uma via de comunicação vital. O rio e o mar se mantiveram, no
Período Colonial, como elementos constantes de preferência
para a escolha da situação da grande lavoura. Ambos constituíam
as artérias vivificantes: por meio delas o engenho fazia
escoar suas safras de açúcar e, por elas, singravam os barcos
que conduziam as toras de madeira abatidas na floresta, que
alimentavam as fornalhas do engenho, ou a variedade e a multiplicidade
de gêneros e artigos manufaturados que o engenho
adquiria alhures [...].
Alice Canabrava. Apud Déa Ribeiro Fenelon (Org.).
50 textos de história do Brasil, 1986.
Quanto à organização da vida e do trabalho no engenho colonial,
o texto:
a) destaca a ausência de quaisquer relações de trabalho e
de amizade dos senhores com os seus escravos.
b) demonstra a distribuição espacial das construções e seu
papel no funcionamento e na lógica do poder dentro do
engenho.
c) enfatiza a predominância do trabalho compulsório e os
lucros obtidos na comercialização de escravos de origem
africana.
d) denuncia o descaso dos senhores de engenho com a escolha
da localização para a instalação do engenho.
e) atesta a irracionalidade do posicionamento das edificações
e os problemas logísticos trazidos pela falta de planejamento
espacial.
História do Brasil
2. (Fuvest) Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística
da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses
comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o
haviam estado das Cruzadas do Levante, em boa parte manejadas
e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão
mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com
as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência
ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre
os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro
da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome
do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava
agora nas plagas africanas...
Adaptado de Luiz Felipe Thomaz. “D. Manuel, a Índia e o Brasil”.
Revista de História, n. 161, p. 16-17, 2º sem./2009.
Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão
portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento:
a) puramente religioso, bem diferente das Cruzadas dos séculos
anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes
empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana.
b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum,
à época, a concepção de que a expansão da cristandade
servia à expansão econômica e vice-versa.
c) por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa,
dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados
para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis.
d) militar, assim como as Cruzadas dos séculos anteriores,
e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam
como complemento apenas ocasional.
e) que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental,
a despeito de, oficialmente, autoridades políticas
e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a
expansão da fé cristã.